Industrializados e suas mentiras

Tempo de leitura: 8 minutos

Que comida de verdade não tem rótulos todo mundo já sabe, assim como sabemos que é nesse tipo de alimento que devemos basear nossa alimentação. Porém, vez ou outra, é preciso utilizar produtos industrializados para facilitar o dia-a-dia ou dar cara nova para a comida. O problema é que quase sempre os industrializados estão cheios de armadilhas prontas para nos sabotar!

Ler os rótulos dos produtos alimentícios corretamente é a maneira mais segura de se blindar das armadilhas da indústria alimentícia! Por isso eu considero essa capacidade uma das coisas mais importantes que se deve saber quando se inicia uma reeducação alimentar e/ou estilo de vida saudável. Vou explicar o porquê.

suposto-saudavelQuando iniciei minha reeducação alimentar minha geladeira estava recheada de produtos alimentícios que se diziam saudáveis e prometiam ajudar no emagrecimento. No entanto, muitos deles foram responsáveis por retardar esse processo.

A indústria alimentícia precisa vender seus produtos, levando em consideração que seu objetivo principal é o lucro. Dessa forma, ela manipula a formulação de suas mercadorias com o intuito de torná-las agradáveis ao paladar ou até mesmo viciantes (já que assim é mais fácil vender, não é mesmo!?).

Viciantes!? Como assim?

Ora, eles adicionam açúcar aos produtos. Isso mesmo, já existem diversos estudos que provam a semelhança entre os efeitos do açúcar e da cocaína no cérebro. O açúcar pode ser considerado um veneno. Para o fígado o açúcar é uma toxina crônica, não aguda e dependente de dosagem (já que existe uma dosagem segura). Para o cérebro, assim como a cocaína, o açúcar é uma substância viciante.

Uma jogada de mestre…

Em 1977, especialistas chamados à comissão de Nutrição e Necessidades Humanas dos Estados Unidos alertaram o senador dos George McGovern que a obesidade em breve seria a principal causa de subnutrição nos EUA. A partir dessa constatação e da previsão do aumento de gastos com saúde publica, foi lançado o Relatório McGovern o qual pretendia traçar metas para mudar a dieta dos americanos. Segundo os especialistas a dieta dos americanos estava cada vez mais rica em carnes gordas, gorduras saturadas, colesterol e açúcar!

Os segmentos da indústria alimentícia produtores de ovos, açúcar, laticínios e carne se uniram afim de proteger suas vendas, rejeitaram o Relatório McGovern e ainda exigiram uma revisão. A partir da pressão feita pelo lobbies das empresas, as palavras “consumo reduzido” foram retiradas do Relatório. Ao invés disso, eles incentivaram os americanos a comprarem industrializados “magros” e comida com pouca gordura.

Foi assim que a partir dos anos 1980 surgiu uma nova doutrina de saúde e um novo mercado. Todos os produtos alimentícios imagináveis ganharam uma nova versão com baixa gordura. O fato é que quando se tira a gordura dos alimentos, o sabor fica horrível (parece papelão)! Por isso foi preciso substitui-la por algo a sua altura, no que se trata de sabor. Afinal era preciso fazer com que a comida fosse gostosa e que desse vontade de comer (e comprar).

O que a industria fez!? Encheu seus produtos de AÇÚCAR. Consequentemente, entre os anos de 1977 e 2000, os americanos dobraram seu consumo de açúcar. O problema é que todas as doenças metabólicas associadas à obesidade (diabetes, cardiopatia, problemas lipídicos, derrames, câncer, etc) são impulsionadas pelo açúcar. Ou seja, “o tiro saiu pela culatra”… no caso, da sociedade americana e do resto do mundo.

Hoje o açúcar está presente em quase todos os industrializados e muitas vezes ele está escondido nos produtos encoberto por outros nomes. Todos os produtos a baixo normalmente tem açúcar ou algum derivado dele.

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Excesso de açúcar provoca picos de um hormônio chamado insulina, explico isso no post que escrevi sobre porque os carboidratos engordam (açúcar é um carboidrato). Há dois grandes problemas quando temos frequentes picos de insulina no sangue. O primeiro é que acumulamos gordura e o segundo é que estamos sempre com fome, já que a eficiência da insulina acaba deixando o sangue carente de açúcar, provocando a fome.

Resultado: Estamos sempre com fome e dispostos a comprar! 

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Rótulos são propagandas enganosas, desconfie!

Além de manipular os ingredientes, a indústria utiliza o artifício da propaganda para nos iludir. Quase sempre eles percebem uma demanda, como a de “produtos fit”, por exemplo (lembrando que isso não existe), mudam algumas pequenas coisas de uma linha de industrializados já existentes, fazem uma campanha de marketing agressiva e pronto! Uma nova linha de alimentos está lançada, pronta para atender um novo segmento de consumidores (que quase sempre pagarão mais caro por esse tipo de produto), mesmo que a variação entre as duas versões seja mínima.

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Perceba na figura ao lado que, mesmo se tratando de produtos com o mesmo tamanho, as informações são dadas a partir de porções diferentes, 20g no tradicional e 9g na versão light, ou seja, menos da metade. Uma pessoa distraída, olhando rapidamente, concluiria que a versão light possui metade das calorias presentes na versão original. No entanto, a realidade é outra, se analisarmos uma porção de 20g da versão light veremos que ela contém 70 kcal, apenas 4 kcal a menos que a original.

Os rótulos dos industrializados também mentem

O novo por si só já desperta interesse, o que configura uma outra estratégia de venda (recomendam que assistam o documentário That Sugar Film). Não é à toa que todos os dias surgem novos produtos industrializados nas prateleiras do supermercado ostentando adjetivos como light, diet, zero açúcar, zero lactose, integrais, fit, sem glúten, menos colesterol, rico em fibras, mais proteínas, baixo carboidrato, baixo teor de gordura…

Muitas dessas classificações não existem ou não são reguladas por nenhum tipo de lei, mas como estão sendo muito procuradas pelos consumidores, acabam sendo utilizadas como uma propaganda a mais da indústria alimentícia. A classificação de produtos industrializados com pouca ou nenhuma lactose, por exemplo, ainda não possuem uma legislação própria e por isso são utilizadas de maneiras diversas.

Uma curiosidade é que grande parte dos alimentos classificados como zero lactose possuem o leite ou soro do leite em sua composição, porém esses produtos também são acrescidos da enzima lactase, a qual é responsável por quebrar a lactose em galactose e glicose.

Diet x Light

Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) possui uma legislação que conceitua as classificações diet e light. A classificação diet pode, opcionalmente, ser utilizado em alimentos produzidos para indivíduos com exigências físicas e/ou que sofrem de doenças específicas como, por exemplo, Diabetes.

Sendo assim, a classificação diet pode ser incluída em:

  • alimentos indicados para as dietas com restrição dos nutrientes: carboidrato, gordura, proteínas e sódio;
  • alimentos exclusivamente empregados para controle de peso; e
  • alimentos para dieta de ingestão controlada de açúcar.

O termo light, por sua vez, pode, opcionalmente, ser utilizado em alimentos que tenha a redução em, no mínimo, 25% o valor calórico e os seguintes nutrientes: açúcares, gordura saturada, gorduras totais, colesterol e sódio, se comparado com o produto tradicional ou similar de marcas diferentes.

Por isso, mesmo produtos classificados como light podem não ser (e geralmente não são mesmo) os melhores tipos de alimentos para consumo de pessoas que desejam emagrecer. Vale lembrar que o nescau light da comparação a cima possui como primeiro ingrediente o açúcar!

A má notícia aqui é que, além dessas classificações serem confusas, no Brasil elas nem sempre são utilizadas da forma correta.

Recapitulando!

  1. Lembre-se que você é único responsável pela sua alimentação e saúde. Só você saberá dizer o que é melhor para você.
  2. O objetivo principal da indústria alimentícia é o lucro, por isso ela faz o que for preciso para alcançar esse fim. Você é um mero consumidor, não se iluda.
  3. Os produtos são formulados para apetecer o paladar e até mesmo viciar.
  4. A ideia de que gorduras fazem mal foi uma invenção da indústria alimentícia para vender mais produtos “sem gordura”.
  5. Tirar a gordura dos alimentos os tornam intragáveis, por isso, o açúcar é acrescentado para dar sabor.
  6. Quase todos os industrializados são acrescidos de açúcar, ou similares.
  7. A versão light de um produto industrializado é feita com o intuito comercial e quase sempre não é a melhor opção.
  8. Não se iluda com as qualificações estampadas nos produtos, muitas delas se quer existe.

Depois desse texto todo se eu tivesse que te dar um único conselho, eu diria: invista em comida de verdade!

Obviamente que é impossível viver apenas de comida de verdade, por isso escrevi um post ensinando como escolher os industrializados do bem de forma clara e direta, não deixe de conferir! Espero que tenham gostado! Qualquer dúvida estou a disposição.

Beijos e até a próxima!

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