A verdade sobre: Diretrizes Nutricionais – como elas surgiram

Neste artigo/vídeo eu pretendo mostrar como as diretrizes nutricionais vigentes foram estabelecidas com base em má ciência e, graças a isso, elas mais têm atrapalhado do que ajudado no combate as doenças cardíacas, diabetes e ao surto de obesidade que assola o mundo todo.

Caso prefira ter acesso a essa informação em vídeo, clique aqui!!

As diretrizes nutricionais surgiram nos EUA, nos anos 80, e acabaram sendo exportadas para todo o mundo.

O que é muito importante saber é que até essa época, nenhum governo nunca havia dito para a população deixar de comer alguma coisa específica, até então só era aconselhado comer o suficiente de tudo.

Pela primeira vez na história, foi recomendado que se diminuísse a ingestão de nutrientes presentes na nossa alimentação desde o surgimento do Homo Sapiens: gorduras saturadas e o colesterol.

Tal solicitação foi acatada por centenas de milhões de pessoas em todo mundo, afinal se gordura faz mal é melhor não comer, o que pode dar de errado nisso??

Dessa maneira os alimentos com alto teor de gordura perderam espaço e deram lugar a versões lights. Os médicos passaram a basear suas recomendações de saúde nas diretrizes nutricionais. Uma nova e incrivelmente lucrativa indústria de alimentos saudáveis surgiu e cresceu como nunca. Deixamos de comer ovos, carnes, manteiga e queijos amarelos para consumir cada vez mais massas, farinha, óleos vegetais e alimentos processados.

E qual foi o bem que isso nos trouxe? Nenhum.

Nunca antes o gênero humano havia propositalmente evitado a gordura na dieta e o resultado disso não poderia ter sido mais desastroso. Quase 40 anos depois das diretrizes o mundo nunca esteve tão gordo e doente quanto hoje.

diretrizes-nutricionais-1O gráfico ao lado mostra como a aprovação das diretrizes nutricionais fez com que o aumento da obesidade passasse de um problema marginal para o maior problema de saúde do século XXI.

Mas para entender como isso tudo começou é necessário voltar até a década de 50.

Como surgiram as Diretrizes Nutricionais?

Em 1955 as doenças do coração, problema relativamente novo, ganharam espaço na mídia após o presidente americano Eisenhower sofrer um ataque cardíaco. Isso gerou uma crise e uma grande busca por respostas: quais eram as causas da doença? como tratá-la e preveni-la?

Foi então que o médico responsável pelo presidente foi a público e disse que para prevenir problemas do coração seria necessário:

  • parar de fumar
  • diminuir o consumo de gordura e
  • diminuir o consumo de colesterol.

Essa fala que mudaria a história estava baseada em pesquisas conduzidas por um nutricionista carismático, persuasivo e muito bem relacionado chamado Ancel Keys.

Ancel Keys havia formulado a hipótese da “dieta-coração”, na qual falava que o excesso de consumo de gorduras saturadas poderia elevar o colesterol, o qual se solidificaria nas artérias, dificultando ou mesmo entupindo a passagem de sangue para o coração, resultando em problemas cardíacos.

Devido as qualidade já citadas e a crescente necessidade de respostas, os estudos de Ancel Keys ganharam espaço junto aos médicos e foi se solidificando uma imagem de que a consumo de gordura realmente era o problema chave por trás das doenças cardíacas (o próprio presidente Eisenhower evitou consumir gordura até sua morte em 1969, por doença cardíaca).

Contudo, a corrente contra gordura não era totalmente dominante e por vezes surgiam afirmações contrárias as teorias de Keys. Entretanto, Ancel Keys, sempre muito combativo, estava pronto a atacar os estudos e a reputação de qualquer um que ousasse discordar de seu raciocínio.

Prova disso foi o ocorrido com o cientista e nutricionista inglês John Yudkin que, usando dados semelhantes aos encontrados por Ancel Keys, chegou a conclusão de que o problema não era a gordura mas sim o açúcar.

Yudkin, infelizmente (para ele e para nós), era muito mais tímido e de caráter cavalheiresco quando comparado a Keys. E mesmo diante de ataques violentos feitos ao seu trabalho mantinha-se calado. O resultado: Yudkin passou a ser visto como um radical solitário enquanto Keys dominou o campo da nutrição com suas ideias e foi ganhando cada vez mais poder ao longo dos anos 60.

Até que no de 1970, Keys publica sua mais famosa pesquisa batizada de “O Estudo dos 7 países” onde mostra dados compilados sobre alimentação e estilo de vida de 12770 homens de diferentes países ao longo de seis anos, correlacionando o consumo de gorduras saturadas e colesterol com o maior índice de doença cardíaca.

Embora o estudo tenha sofrido pesadas críticas devido a pouca transparência usada na seleção dos países (22 países foram analisados e estados conhecidos pelo alto consumo de gordura e baixo índice de doenças cardíacas foram evitados propositalmente) o estrago estava feito. A gordura, que já estava sendo cada vez mais evitada devido ao consenso, havia se tornada vilã de fato.

estudo-dos-7-paisesDiante do fatos e, possivelmente visando o bem comum, uma comissão chefiada por um senador americano com a missão de estabelecer as diretrizes nutricionais, conhecida como Comissão McGovern, naturalmente se encaminha para a direção da exclusão das gorduras saturadas e do colesterol da dieta.

Entretanto, a nutrição é um jogo de soma zero. Não é possível retirar algo sem colocar nada em seu lugar.

Como a quantidade proteína tende a se manter mais ou menos constante nas diversas dietas, candidato naturalmente escolhido para entrar no lugar das gorduras não poderia ser outro senão o carboidrato.

Dessa forma, cientistas e nutricionistas americanos culparam alimentos ancestrais por doenças modernas e deixaram o real culpado livre para fazer cada vez mais vítimas. Um alimento que até 300 anos atrás mal aparecia em nossa dieta mas que ganharia cada vez mais espaço por conseguir tornar os produtos sem gordura palatáveis: o açúcar.

A grande pergunta sobre todo esse processo:

Será que ninguém se opôs a isso?”

Lembra-se do nutricionista inglês John Yudkin, ele se opôs. Em 1972 ele publicou um livro chamado “Puro, branco e mortal” onde abordava os males causados pelo açúcar e dietas com alto consumo de carboidratos. Chegou até a ser ouvido na Comissão McGovern, mas sua imagem estava tão desgastada pelos excessivos ataques feitos a sua pessoa por parte de pesquisadores contra gordura e indústrias ligadas ao açúcar que sua voz não foi ouvida.

John Yudkin foi perseguido de tal forma que pesquisar sobre dietas baixas em carboidratos seria inimaginável para qualquer pesquisador que tivesse o mínimo de zelo por sua carreira.

E hoje em dia??

Com o passar do tempo, as diretrizes nutricionais da década de 80 se tornaram verdadeiros dogmas.

Ao longo dos anos foram feitos diversos estudos buscando comprovar a relação entre gordura e doença cardíaca, sem contudo conseguir ligá-las. Parece que sempre que os estudos chegavam a conclusão contrária a que era esperada (conclusão esperada era que gordura é ruim), o assunto era evitado e acreditava-se que algo havia saído de errado.

Mesmo hoje, com a evolução das redes sociais e após a publicação de diversos estudos do mais alto grau científico (ensaios clínicos randomizados) mostrando que a gordura saturada não tem qualquer tipo de relação com doenças cardíacas e que é mais comum pessoas com baixo colesterol morrem de problemas do coração, a ciência da nutrição ainda custa a admitir os erros do passados.

Possivelmente, mesmo o que os erros sejam admitidos e as diretrizes de fato se alterem (já retiraram o limite de gordura total e de colesterol), o pensamento cristalizado vai durar por gerações e talvez nunca desapareça.

Fechando o artigo, usarei uma frase do jornalista, pesquisador e físico Gary Taubes, autor do excelente livro “Porque engordamos e o que fazer para evitar”:

Em física, você procura o resultado anômalo e então tem alguma coisa para explicar. Em nutrição, o jogo é confirmar o que você e seus antecessores sempre acreditaram.”

Espero que tenha gostado do artigo! Fico grato se puder deixar um comentário abaixo manifestando sua opinião sobre o assunto.

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  • Isabela França

    Bom dia Malu… Estou no início da lowcarb… acompanho seus videos e venho pesquisando muito sobre o assunto.
    Estou insegura quanto à minha alimentação. Estou com medo de estar comendo errado em casa… almoço em restaurante, mas a noite a refeição é em casa…. e normalmente é o horário que tenho mais fome, mesmo tendo sentido uma diminuição enorme na “fome” após ter iniciado esse estilo.
    Ontem por exemplo comi couve flor passada no ovo e linguiça frita na airfryer… O que você acha?? exagerei? Pode me ajudar?

  • Oi, Isabella.

    Fico feliz de poder ajudar, mas avaliar só uma refeição acaba sendo um tiro no escuro… o que conta é a sua rotina. Essa refeição por exemplo foi boa. Agora se você optar sempre por linguiça como fonte de proteína, já não acho legal.
    O que fica como base da low carb são os vegetais, então se vc conseguir comer vegetais em todas as refeições já está ótimo. E nas proteínas eu sempre opto por ovos, frango, carnes e peixes (mais raros por conta do preço), lembrando que não precisamos ter medo da gordura natural dos alimentos (gema do ovo, gordura da carne etc), mas também não devemos sair adicionando gordura a toda hora… isso pode atrapalhar no emagrecimento.
    No canal do youtube já tenho dois vídeos sobre rotinas alimentares mostrando o que eu como e vou fazer mais alguns. Dá uma olhadinha lá, principalmente no que mostro o dia a dia (o outro foi em viagem, então já viu né, rsrsr), acredito que possa te ajudar.
    Beijos!!

  • Isabela França

    Ai que bom.. creio que no restante do dia estou acertando… Cafe da manhã como ovos mexidos, ou cozidos… almoço coloco bastante folha, tomate, couve flor, repolho.. A tarde seeee me der fome como uns 4 morangos, ou um enroladinho de presunto e mussarela. Muito obrigada por ter respondido… tenho acompanhado seus vídeos, e inclusive indicando seu canal. Obrigada